terça-feira, 10 de abril de 2012

Em Cena

Faz tempo, eu estava vendo, que eu não passo por aqui... E resolvi me reler e vi o quanto a minha vida mudou. Depois dos dissabores que me fizeram criar este blog, e depois a enorme necessidade de expressar a nova fase da vida, agora veio a fase mãe-esposa-dona de casa-profissional que tem me consumido quase que totalmente. E eu estou com muitas saudades de escrever. Muitas vezes a inspiração até vem e eu quero muito vir aqui. Só que não dá naquela hora. E aí a inspiração vai embora. 
É que eu sou assim mesmo. Se não for naquele instante, eu acabo me esquecendo e as horas vão consumindo minhas palavras até um ponto em que não lhes sobra nem o átomo que gerou o pensamento.
Sou mãe agora. Tenho uma linda prioridade que alegra a minha vida e me desdobra em pensamentos e atitudes que requerem tudo de mim. A esposa que nem sempre tem tido tempo para o seu amado para lhe dar a atenção que merece - e merece mesmo -, e uma dona de casa que tem estado um tanto negligente com o seu lar, uma profissional que não pode deixar a peteca cair e uma mulher que, no meio disso tudo quer voltar a ser.
É... E aí um dia desses, desprovida de todos esses papéis porque estava recuperando a saúde na marra, eu vi que tudo isso está junto. A mulher é a atriz que desempenha todos os outros papéis, inclusive o dela mesma.
A atriz, entretanto, tenta desempenhar um papel que lhe é difícil que é o da nova mulher que surgiu juntamente com também o novo papel de mãe. 
Acho que não estou dando conta do recado e estou com medo de, no palco, esquecer as falas. De não saber como me mover, de não saber qual o melhor tom de voz, qual a melhor roupa para o novo corpo, qual a melhor maquiagem para os novos olhos, qual a melhor música para seus novos momentos. Estou perdida! Apavorada com a possibilidade de receber vaias. Não, não quero aplausos, não! Quero só entrar em cena e representar os meus papéis da melhor maneira possível sem falhar naquilo que é minha obrigação...
Quero entrar nos eixos e eu me sinto tão pesada, em tantos sentidos.
Estou triste... E queria descobrir onde eu deixei o papel onde estava escrita a alegria de ser a nova mulher que me tornei... Perdi aí em algum lugar e não consigo encontrar.
Lembro-me dos versinhos de Quintana 
"Quantas vezes, em busca da ventura
Agimos tal e qual o velhinho infeliz
Que por toda parte os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz..."
Mas, eu já passei a mão no nariz para saber se ela está lá. Tá não. Nem no alto da cabeça. Não sei mesmo onde está.
Mas, de tanto procurar, eu sei que vou achar novamente. Senão, Autor, vê se escreve de novo para mim... Gosto tanto dos sorrisos que a mulher dá. E de me sentir poderosa com aquele brilho no olhar que só a alegria tem. Gosto também do carinho que ela traz junto de si. E das intenções que vem com os gestos leves e puros originados num sorriso que vem lá de dentro do coração.
Sei que a vida é tão maravilhosa, mas eu não estou conseguindo enxergar porque sou miope, eu sei. Tenho de buscar modos de corrigir isto.
Tenho uma desconfiança, entretanto. De que aquele papel que eu disse que perdi e o papel que eu falei que era novo, são, na verdade um velho papel que pouco se modificou, mas, de qualquer forma, se perdeu.
Sou eu. Crise de identidade. Crise de ser, crise de viver. Vou dar uma de diva mimada e embirrar e não vou me mover enquanto não encontrar o que se perdeu e não entrarei em cena até que consiga encenar direito o papel que - eu sei -, vou encontrar.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Deus conserve!!!

Andava eu lépida e fagueira com Sofia no carrinho quando uma moça disse:
- É sua?
- É!!!
- Nossa! tão novinha...
- Eu? Eeeeeeeeeeeeu?
- E não é não?
- Menina, já vou para os 32!
- Poxa... É mesmo? Pensei que você tinha uns 20 anos!!!
Ganhei o dia... O ano!!! Aliás, todas as eras!!! Hehehehe!!!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Licença Poética


Volto logo, logo...
Em licença maternidade de curtíssima duração...
Beijos a todos e muito obrigada pelo carinho!!!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Boooooom!

Parece que vou explodir...
Em muitos sentidos. Fisicamente meu corpo já não está mais suportando o fim da gestação. Está, de fato e de verdade, chegando a hora. Está quase no momento de a menininha sair. De a vida, enfim, dar seus berros e sugar toda a energia do mundo para crescer mais e mais.
Emocionalmente também. Feliz. Tensa. Ansiosa. Com medo.
A hora já ameaçou tanto a chegar que tenho medo de não reconhecer quando chegar a hora de verdade. Como na estória de Pedro e o Lobo.
Já não consigo mais dormir, embora todos os conselhos sejam pelo contrário. Tenho de dormir muito agora porque quando a filhotinha chegar não dormirei nunca mais na minha vida.
Estou também noutro tipo de explosão... Apesar de em alguns momentos eu achar que vou explodir (pernas inchadas, mãos e rosto também), eu estou me achando linda!!! Sei lá, acho que estou muito mais mulher do que a menina que sempre insisti em ser.
Vamos ver depois, né, como é que fica. Esticada assim, tenho a impressão de que nunca mais vou ser a mesma. E, certamente, não serei mesmo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dos Meus e Aos Meus...


Sim... É uma menininha. E, sim, também já tem nome: Sofia.
É verdade que a alegria e a felicidade é incomensurável. Mas, não seria a mesma coisa sem uma série de fatores que contribuem para que hoje eu tenha plena certeza do que é plenitude.
A primeira delas é saber que tudo se ajeita com o passar do tempo. E que tudo só acontece quando o tempo gera - do modo certo e completo - e traz à luz os acontecimentos. E tudo que o tempo faz é perfeito.
Hoje, por exemplo, eu sei que tudo aconteceu exatamente quando e como deveria acontecer. Assim. Simples. Mas, quando tudo esta em seu transcurso, é dificil saber o motivo, saber o por que tudo está assim se fazendo.
Foi bom ter sofrido com a solidão? Sim. Foi muito bom. Porque hoje eu conto com o companheiro mais maravilhoso do mundo!!!
Assim, desses cúmplices para todas as horas e todos os momentos. Que é meu melhor amigo, meu enfermeiro - porque ando precisando - meu namorado, meu esposo, meu amor.
Aos trinta - e um tico mais - era para eu estar muito mais segura. Mas, não sei se são os hormônios da gravidez, mas ando muito, mas muito mais insegura do que deveria. E estressada. E impaciente.
Em meio às maravilhosas descobertas a respeito da vida que cresce dentro de mim, eu me pego sendo desafiada a não deixar de ser mulher. Mas, é tão difícil.
Porque meu corpo de mulher está todo o tempo sendo desafiado a ser corpo de mãe. Daí o corpo de mãe é desafiado o tempo todo a continuar a ser corpo de mulher.
Não pode engordar, não pode desanimar, não pode ficar com o cabelÃO feio, as unhas tem de estar bem feitas, o corpo macio e depiladinho, os pés macios, a pele sem manchas.
Então, freie a imeeeeeeeeeeeeensa vontade - enlouquecedora, muitas vezes - de comer doces, massas e afins, e o impulso de não sair da cama - como, aliás, fiz anteontem - dome a dor na coluna inteirinha - cervical, toráxica e lombar - e estica a cabelaça. Sem contar a falta de grana que nos pega assim, de surpresa como a própria notícia da gravidez. Tudo muito normal. Bom, pelo menos é o que dizem.
Andar está cada vez mais difícil. Porque, além de tudo, tudo, eu arranjei uma dor nos pés que me faz andar com aquele caminhar de pata choca. Não sei se todas as gestantes caminham assim por causa de dores. Eu sim.
Estou me sentindo uma inútil. Não consigo fazer nada direito. A mocinha está crescendo e crescendo e meus órgãos cada vez mais estão espremidos.
Muitas vezes eu choro em bicas porque não consigo mais fazer tudo o que fazia antes. Cozinhar agora, só de vez em quando e se for algo bem rapidinho.
Lavar louças... A barriga já não deixa mais!!!
Da roupa a minha superultramegamaravilhosa "Sebastiana" lavaroupas que só falta falar - mas toca musiquinha quando termina o serviço - dá conta do recado.
Sobra para o pobre marido. Coitado. Que já não dorme mais direito e, quando dorme um pouquinho, é acordado com meus gritos de dor por causa das cãimbras noturnas. Sem contar que, como já não tenho mais posição confortável o bastante para dormir, passo a noite "grelhando" na cama e levantando o tempo todo para ir ao banheiro.
Fico com pena dele, tadinho... Que deve ter a sensação de "propaganda enganosa"!!!
Mas, sabem, apesar de tudo isso que descrevi - e olha que nem falei de tudo - todas essas essas coisas desaparecem em meio a outras.
Como o fato de ter alguém tão maravilhoso perto de mim. Que, mesmo sem entender direito o que eu sinto de fato, está por perto me suportando. Sei que não é fácil...
Talvez hoje eu tenha plena consciência daquilo pelo que estou passando, mais do que se tivesse vinte, vinte e poucos anos. Tudo agora tem outro peso. Está certo que, se fosse a dez anos atrás, meu corpo reagisse bem melhor. Mas, acho que não seria assim tão bom e consciente.
Mas, há outras coisas que me fazem dizer que vale a pena tudo, tudinho mesmo: Quando Sofia mexe aqui dentro, e eu sinto que ela está viva, e meu lindo dá aquele sorriso satisfeito, curioso e interessado, eu esqueço tudo... E me pego sonhando com o dia em que ela estará entre nós na nossa cama, e que vai no meu colinho acordar o papai com aqueles grunidinhos de bebê e aquele cheirinho gostoso...
Eles dois são meu mundo, agora. Tudo o que faço é para eles. Se suporto as dores, se caminho claudicante, se choro escondida, se me alegro abertamente e chamo para ver nossa menininha mexer todas as vezes que ouve a voz do pai, é só para sentir que ela está viva e ver aquele sorriso lindo naquele rosto mais lindo ainda deste homem magnífico que me foi posto ao lado.
Ah, quanta sorte eu tenho!!! Não canso de dizer isto.
Assim como a dor fica descrita e marcada nas palavras, o amor também. E a alegria, e a vontade de sorrir.
Há tantas e tantas coisas para dizer, mas o tempo tem corrido mais do que a quantidade das minhas palavras... E ele me tem prendido nas tarefas impostas pelo trabalho e por minha filha que, ainda crescendo dentro de mim, já me preenche o tempo todo com todas aquelas sensações que, na verdade, são só um modo de o corpo dizer que está preparando um outro ser. Para isso precisa de tudo de mim. E, muitas vezes, tudo é muito pouco.
Aos poucos, os anos que se passam vão me ensinando mais e mais a respeito de mim mesma e da vida. Daqui para frente, vou ser mãe. E também mulher. E esposa. E profissional. E amiga. E filha. E irmã. E uma pessoa qualquer.
De qualquer maneira, tentarei fazer o que puder para dar conta. Se vai dar certo? Não sei, não!
Mas, como sempre, vou vivendo dia após dia. Com noites - ultimamente mal dormidas - no meio que é para dar tempo de pensar. Ou não.
Saudades de todos!!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Graciosa

Atravessar pontes significa transpor um rio. E, mesmo sem os pés na água, não se enganar: Ela está lá. Muitas vezes calma. Outras tantas revoltas.
Acredito que a chegada dos 30 anos foi mais ou menos assim. Houve tempos em que pensei que eu afundaria. Então, eu me lembrava que a ponte estava ali. Ainda que as águas passassem por sobre ela. Eu tinha medos. Muitos deles. Mas, conforme o tempo foi passando os medos foram mudando e muitos foram desaparecendo, outros tantos diminuindo.
Acabo de deparar com outra ponte no meu caminho. Essa eu estou atravessando acompanhada, graças ao Pai! O que faz a trajetória ser um pouco mais fácil. Pelo menos tenho olhos para mirar quando as incertezas inundam o meu coração. Será que vou dar conta? Será serei boa o suficiente. Só o suficiente já seria muito bom.
E os olhos que me fitam são serenos. E são fortes o bastante para mim. E, desde sempre estiveram ali comigo, claros, sinceros, doces e firmes. E as mãos também não soltaram as minhas. Cada vez que eu estou um pouco atrás, eu vejo sua mão se esticando me pedindo: "Dá aqui a mão. Segura!"
Houve tempos de cansaço. Muito. E agora estou descansando. Literalmente!!!
Um sono que não tem tamanho. Que nem me deixa pensar muito. Mas, o medo está lá. Aplacado pela companhia maravilhosa do Amor.
E, agora, um Amor crescendo dentro de mim. No meu coração. No meu corpo. Na minha vida. Uma vida em minha vida. Que complementa a doçura da verdade que sinto nas mãos dadas, no abraço, no aconchego, na amizade.
Aos - quase - 31, eu me pego agradecendo tanto, mas tanto a Deus... E pedindo Graça e Misericórdia para essa nova fase que se inicia.
Nova vida. Casa nova. Filhotinho(a). Novos desafios.
Tenho a certeza de que será difícil. Desafiador. Mas, também sei que será maravilhoso. Assim como toda a minha vida. Não tenho o que reclamar. Só contar. E agradecer.
Agora, mais do que em todo o meu viver, eu sei que a vida está acontecendo. E, ter quem se ama por perto pode ser muito mais do que apenas ter companhia. Pode também significar ter a coragem aumentada. E um abraço na alma que é difícil de descrever.
Em estado de graça. É assim que estou.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Zaroinha... Também!!!




A certa altura da vida você tem certeza de muitas coisas. E mais incertezas ainda. Um problema.
Mas, uma das melhores coisas é que você tem certeza absoluta e irrevogável de que tem muuuuuuitos defeitos.
Lá dentro do coração escondidos de todo o mundo, na cara - para todo mundo ver - e outros tantos escondidinhos em algum lugar e que você só revela para alguém em quem confia muito. Demais da conta. Outras vezes, nem sob tortura manifesta.
Eu acho que tenho defeitos demais. Muitas vezes nem gosto muito de me olhar no espelho. E acho que é por isso que gosto tanto de roupas. A maioria delas escondem meu corpo e revelam apenas algo curioso - a respeito da própria roupa, diga-se.
Muitas vezes eu me pego pensando no excesso de intimidade que acomete alguns casais... Estou passando por, digamos assim, uma adolescência tardia, tendo um bocado de acnes, coisa que nunca, jamais, em tempo algum eu havia tido na vida. Minha pele era uma das maiores qualidades que eu tinha. Muito branquinha, lisinha, aveludada... Linda - modéstia lá nas profundas do ser...
Daí então, eu fico imaginando que seria impossível e improvável que algum dia eu pedisse :"Meu bem, será que você poderia espremer essas espinhas?" Arg!!! Que horrível!!!
Gente, há um limite para a intimidade. Tem de haver!!! Para não se perder o encanto do mistério, sabe?
Eu não quero saber de certos detalhes dos quais eu também não gosto que saibam a meu respeito. Pelamordedeus!!!
E, quando eu digo isto, eu falo é de qualquer pessoa!!!
E eu lá quero saber que a criatura que eu nunca vi mais gorda teve um piriri daqueles???? As pessoas não tem a menor cerimônia em falar de certos assuntos. Eu, hein!!!
Imagine só quando se fala de um relacionamento a dois... Claro que eu não estou exagerando. E alguns acontecimento acabam se quedando em um acordo meio que tácito que os casais tem. Não falam a respeito daquilo, mas respeitam os limites do outro por sentirem que aquilo agride de certa forma.
Tenho celulite... E agora mais ainda depois que engordei um cadim. Isto é algo que não me incomoda. Posso falar nisto sem problemas, mesmo porque acabam por ficar escondidinhas debaixo das minhas roupas. E eu não uso tecidos que as mostrem para qualquer um. Nem pensar!!! Mas também não deixo de por um traje de banho por isso.
Isto é o tipo de coisa com a qual você não pode ter muitos grilos porque senão acaba atrapalhando na hora do bembom...
Sou desconjuntada. Outro defeito. Tiro praticamente todas as minhas articulações do lugar voluntariamente sem dor. Mas, o que poderia ser uma benção (perdeu o circunflexo? Será que há milênios? Nunca vou entender essas reformas ortográficas), acaba sendo curioso. Por exemplo, dançar pode ser um desastre se eu não me concentrar bastante. O fêmur sai do lugar. mas, também pode ser bem interessante este atributo que me rende uma flexibilidade natural. E eu nem quero saber o que se pode pensar a respeito disto... Não quero!!!
Eu nasci com cabelos encaracoladíssimos. Para mim algo que sempre foi um problema. Desde sempre. Daí que surgiu a mágica da escova progressiva e eu estou livre para molhar meus cabelos quando eu quiser... Ou, quando a grana permite - bem entendido.
Também nasci com pés tortos congênitos, algo que foi reparado antes mesmo de eu começar a andar...
E meus olhos são - como diz o Meu Lindo - "tortinhos"... E eu fico um pouco sem graça quando alguém percebe e me diz. Nas fotos 3x4 costuma ficar bem evidente meu leve estrabismo, que é algo que pouquíssimas pessoas percebem cotidianamente.
Confesso que não gosto muito. Mas, se não fosse assim, não seria eu.
Não gosto das minhas mãos. Acho meus pés muito grandes para minha altura, sem contar que tem joanetes e vivem constantemente rachados, não importa o esforço que eu faça para mante-los lisinhos...
Tinha uma pinta no lábio superior que eu amava. Tive de tirar. Agora, eu consigo notar uma pequena diferença que, aos olhos de todo mundo nem existe. Mas, para mim um lado ficou ligeiramente diferente do outro.
Também não gosto do meu nariz. Não. Não gosto...
Para mim, eu tenho os maiores culotes do mundo... Ah! Não gosto do que vejo no espelho. É isto.
Porém, não tenho problemas para me aceitar e me amar assim mesmo. Eu me cuido do jeito que dá. Apesar de, ultimamente, não estar ligando muito para minha alimentação que já foi bem mais saudável.
Por isso, a intimidade fica mais gostosa. E a convivência também. Porque a vida sem que nos amemos a nós mesmos é muito complicada. Pelo simples fato de que fica difícil permitir o outro conosco.
Tenho também outros muitos defeitos que escondo no meu coração e só mostro para pessoas que eu amo demais. Mas, dos que não se pode ver, a ansiedade é algo que eu não tenho problemas em dividir. E, depois de tanta coisa, ela piorou. Quem não me conhece de verdade, acha que eu sou calma... Engano. Escondo bem. Só isso. Mas, a intimidade faz revelar, e isto é bom.
Que fique bem entendido que não sou daquelas pessoas fresquinhas que acham tudo nojento. Só algumas coisas. Espremer coisas nos outros é uma delas. Tem dó!!! Ainda mais em público!!!
Mas, de uma coisa eu tenho mais certeza ainda do que dos meus defeitos e das - poucas - qualidades que tenho: Que é muito bom arrumar alguém que nos ame assim como somos. E que nos entende. E que olha nos seus olhos profundamente só para achar bonitinho aquilo que você não gosta muito de evidenciar. E, por isso mesmo, aperta sutilmente os olhos para dar, logo em seguida, um sorrisinho maroto, como quem está fazendo uma travessura do tipo olhar por debaixo da porta algo que alguém está tentando esconder.
Gosto das risadas que se seguem e dos olhos que eu aperto. Gosto. Muito.
É... Sou vesga, como uma certa criaturinha gosta de dizer. Sou zaroinha... Também.
E, se isto me faz ser eu mesma, que maravilha!!! Porque, até agora, não desejei ser mais ninguém que eu mesma.
Ufa!!!




domingo, 18 de abril de 2010

Sem Vergonha. Nem Culpa!

Há pouco mais de 30 anos - ah, tá bom, quase 31! - eu nasci com o grande privilégio de ser brasiliense.
Outro dia eu vi junto com Meu Amor, uma camiseta que achei até muito bem humorada com a seguinte frase estampada: "Sou brasiliense. Mas, juro que sou inocente!"
De fato, os atuais acontecimentos nos fizeram perder o rumo. Acontece que não foi só o cenário político brasiliense que se sujou até a medula. O que nos deixa um pouco sem rumo é que o poder tem de acontecer por aqui.
É a Câmara Legislativa, o Buriti... E há quase 50 anos os 3 Poderes da República que tem nos envergonhado.
Sempre que dizemos que somos de Brasília, vem alguém comentar da lamentável situação política. Nunca - em toda a minha vida que já soma mais de 60% dos anos da Capital - alguém me falou da magnífica cidade que Brasília é.
Hoje amanheceu um lindíssimo céu azul. Desses que só acontecem por aqui. O céu daqui é de um azul indescritível!!!
E eu dizia o quanto eu amo a minha injustiçada cidade. E nós brasilienses é que somos os maiores culpados por tantos enganos, porque nos calamos diante de tudo o que dizem de nossa linda cidade.
Linda. Demais. É só olhar. É uma festa para os olhos. Tanto verde, tanto espaço, tanta amplitude. Um clima tão gostoso... Apesar da seca que nos assola boa parte do ano. Mas, que nos rende dias lindos, lindos!!!
É a cidade que tem um eixo que é Monumental. Não só no nome. Começa pelo fato de ter 6 faixas de cada lado. Passando pelo Setor Militar Urbano - um pouco recuado, decerto -, vemos a Igreja Rainha da Paz com suas janelas entrecortadas no concreto, e cujas formas nos lembram mãos erguidas em preces.
Mais à frente, o singelo Cruzeiro, lugar para se apreciar memoráveis ocasos. O Memorial JK, onde jaz nosso querido fundador e eterno Presidente, o Museu do Índio, a praça das fontes - que adorna os 3 Poderes da Capital - o Palácio do Buriti - sede do Governo do DF - o Palácio da Justiça - sede do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios - e agora a mais nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal - ainda desocupada.
Mais um bocado abaixo, no sentido Leste, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães - ladeado à esquerda pelo Parque da Cidade - o Clube do Choro e o Planetário.
Andando mais um pouquinho, a Torre de TV e sua feirinha maravilhosa!!!
A Rodoviária o Teatro Nacional, o Museu Nacional e a Biblioteca Nacional e, por fim, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes com o lindíssimo "auriverde pendão da minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança"!!!
Pensa que acabou???? Nem pensar!!!
Temos o novíssimo Setor de Autarquias Federais, onde ficam a Procuradoria-Geral da República, o Tribunal Superior do Trabalho o Tribunal de Contas da União, o Superior Tribunal de Justiça e o futuro Tribunal Superior Eleitoral. Todos projetados por Niemeyer. Lindos, lindos, lindos!!!
Há ainda as 3 pontes - cada uma mais magnífica que a outra: A ponte JK com seus 3 imponentes arcos, a Costa e Silva - projeto de Niemeyer que parece flutuar delicadamente sobre o Lago - e a Ponte das Garças - um pouco mais comum...
Sem contar o Lago Paranoá!!! Ah!!! Um dos meus recantos prediletos é o Pontão, onde eu posso ficar à beira dele, lá looooonge de muita gente ouvindo o barulhinho das águas calmas...
Não posso deixar de falar do CCBB um lugar super bacana para quem aprecia as artes...
Ai!!! E tem também o Setor de Autarquias... Com o prédio do Banco Central e o da Sede da Caixa Econômica Federal - só aqueles vitrais já valem a visita.
Opa!!! Não posso esquecer das Super Quadras... Que eu amo apaixonadamente... Principalmente a 114 Sul onde passei momentos maravilhosos da minha vida... E outros momentos nem tão maravilhosos assim.
E o Eixão???????? E aquele tanto de árvore!!! Cada época um espetáculo diferente: Quaresmeiras, Sibipirunas, Flamboyands, Ipês, Primaveras, Paineiras, Jacarandás Mimosos... E as frutíferas: Ingás, Jamelões, Jacas, Mangas, Amoras... E as demais: Pequis, Pau-Ferro, Sucupiras e outras tantas que eu nem sei o nome.
E o restante todo que compõe nossa Capital, que é rodeada por suas famosas Cidades Satélites, muitas até já existiam antes mesmo da inauguração, como é o caso de Planaltina.
Sobradinho e sua vista bucólica e seu friosinho, Taguatinga e sua efervecência, Brazlândia e sua calma, Lago Norte e Lago Sul e toda a sua sofisticação...
Brasília tem a alma grandiosa!!! Acolheu e acolhe filhos e filhas quem nem dela são, fora os seus.
Há mais de 30 anos eu tenho orgulho da minha cidade. Das suas faixas de pedestres respeitadas, da relativa limpeza - que precisa muito melhorar - da vida cultural que está só melhorando... Dos restaurantes maravilhosos...
É a cidade em que ainda se pode andar de mãos dadas pela rua. Que ainda se pode descer e levar o bebê para tomar sol. É a cidade em que se pode olhar para o horizonte e vê-lo, de fato. Pode-se ver até onde a vista alcança.
Apesar das obras intermináveis que a confusão política só fez atrasar, apesar do trânsito que só piora a cada dia, apesar de a cada chuva parecer que vamos ser encolhidos nas tesourinhas, apesar dos pesares é a cidade mais maravilhosa do mundo. E eu não poderia deixar de sentir o maior orgulho de dizer que sou daqui. Sou brasiliense!!!
E, estou louca para ver uma outra camiseta por aí estampada assim : "Sou brasiliense. Morra de inveeeeeeeeeeeeeeja!!!"

sábado, 3 de abril de 2010

Peculiaridades

Quanto mais o tempo passa, mais a gente vai se dando conta daquilo que não víamos antes.
Pequenos detalhes que fazem muita diferença agora.
Fizemos 6 meses de namoro que começou meio assim... Sem que percebêssemos o que estava, de fato, acontecendo. Mesmo porque, a amizade nasceu muito antes de qualquer coisa - pelo menos em mim.
Claro que, quando o conheci, o que mais me chamou a atenção foi a beleza. Depois, o jeito manso. Ainda depois, a educação. E mais à frente ainda, a gentileza e a generosidade.
Eu lhe disse há pouco tempo que, embora mergulhada na dor e na confusão, eu não conseguia deixar de estar perto.
Era mais forte do que eu. E a simples ideia de ficar longe me entristecia...
E a amizade foi só crescendo...
E as peculiaridades daquele ser magnífico, foram me conquistando a cada dia.
Mas, eu também tenho uma peculiaridade que ganhei com o tempo. Eu não gosto de usar as pessoas como muletas. Daí porque não queria magoá-lo.
Não sou dessas pessoas que ficam com uma para esquecer a outra... Eu hein!!!
Bom, eu sei que conversávamos muito, que ele sempre soube de TODA a minha história - até as partes mais tenebrosas - dos meus medos, das minhas inseguranças, minhas palhaçadas, meu riso, meu choro... Tudo ele conheceu. E conhece. E sabe de mim cada dia mais. Porque eu não me escondo, apesar de acharem que sim.
E, depois das liiiiiiiiiiiiiiindas rosas vermelhas, depois do dia MARAVILHOSO que passamos juntos, depois do cineminha nota 10 que fechou a noite, eu deitei na minha caminha cheeeeeeeeeeeia de almofadinhas e travesseiros e me lembrei do primeiro beijo...
Foi num dia que ganhei um abraço tão gostoso, mas tão gostoso... E, depois de um frio que quase me congelou, e de um aconchego que me aqueceu o corpo e o coração, lá num dos lugares que mais amo em Brasília, chego em casa e ganho um beijo que de mim foi meio roubado!!!
Não me esquecerei jamais daquele beijo. Do modo aflito como ele começou. Do abraço apertado, e do olhar de incerteza que ele carimbou depois em mim.
Aqueles olhinhos verdes aperdadinhos perguntando a si mesmo se havia feito uma besteira...Hehehehehe!!!!
É uma peculiaridade dele... Os olhinhos verdes falam mais que mil palavras. São transparentes como uma nascente de água, de onde nascem todas as suas palavras, gestos, intenções.
E acho que ele viu lá na hora que eu gostei... Muito! Mas, que estava com medo também.
Eu já disse antes que a diferença entre o covarde e o corajoso é que ambos sentem medo. Mas, o segundo os enfrenta, ainda que saia ferido...
Eu escolhi enfrentar o medo de sofrer novamente... E, até agora, eu só tenho tido aquilo que sempre procurei: Amor, companheirismo... E muito mais!!!
Como ele me entende... Como faz o meu dia ficar mais completo. Ele, aliás, me completa!!!
Aos 30 anos, a gente passa a procurar - e necessitar - de alguém que nos complete... Para que não deixemos de ser nós mesmos. E para que possamos nos fundir em uma outra vida que é um pouco nossa também.
Aos 30 passamos também a perceber mais pequeninas coisas, pequeninos gestos que corroboram ou que contradizem aquilo que se diz ou se faz. E, até agora suas peculiaridades só confirmaram aquilo que ele é.
Espero que as minhas não façam com que ele corra a léguas de distância da minha existência... - Hehehehehe - Mas, que possamos juntos tecer uma vida até o fim dela.
E eu só queria dizer a ele que aquele beijo veio na hora exata. E que me fez abrir os olhos e eu vi um modo de enfrentar a vida novamente.
Com ele ao meu lado, tudo ficou mais fácil. Tudo ficou mais doce. E as incertezas se tornaram certezas...
É assim... É uma peculiaridade do amor... Ele faz milagres. E contrói onde nada havia para ser.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Não sei se acontece com todas as balzacas, mas ando sentindo uma certa angústia...
É como se eu já tivesse a exata noção de que a vida passa rápido. Mesmo. Claro que ainda há muito chão pela frente. Mas, depois da infância, passando pela adolescência, pela juventude e pela fase adulta, eu tenho a sensação de que muito mais eu poderia ter vivido.
Mas, não me arrependo do que já vivi. Mesmo o que não foi bom, mesmo os erros, serviram para o meu crescimento e para que eu me tornasse a pessoa que - gostem ou não, amem ou não - eu sou hoje.
Eu gosto do que me tornei. E muitas vezes não gosto do que sou. É assim. Todos somos assim. E se alguém me diz que gosta de absolutamente tudo em si, ou que detesta tudo em si, eu vou achar que ou é narcisista ou é deprimido. É preciso haver equilíbrio.
Bom, ultimamente eu ando pensando muito na maternidade. Coisa que ainda não aconteceu para mim...
E me pego - eu que por um tempo não quis - desejando muito carregar um barrigão por aí.
Perguntaram-me outro dia se eu ficasse grávida o que eu acharia.
Bom, aos 30 anos, com a vida profissional estabilizada, tendo uma pessoa maravilhosa, que amo e que me ama ao meu lado, eu não posso dizer que eu ficaria apavorada com a idéia de ser mãe. Com todas as condições acima elencadas, eu, no mínimo, ficaria tranquila por saber que tenho condições de criar meu filho com sossego.
Só que eu posso dizer que ficaria extremamente feliz. Acho que com um exame positivo para gravidez nas minhas mãos, eu iria sorrir antes mesmo de pensar que vou enjoar, engordar, sentir a dor do parto, gastar rios de dinheiro, perder noites e noites de sono... Eu abriria um sorriso.
Eu já havia dito isto há muito tempo: A mulher foi mesmo feita para ser mãe.
Antes de tudo eu sou mulher. Com desejos de mulher. Com defeitos de mulher. Com visão de mundo feminina. Mas... Em essência eu também sou mãe.
E hoje eu me sinto frustrada quanto percebo que muita gente não quer ter filhos e os tem. Não entendo a mecânica disto na mente de Deus. Não entendo e isto é uma limitação minha, eu sei.
Não posso imaginar como é que alguém diz que um filho pode ser um acidente.
É que a fé que me foi dada me diz que nada acontece sem que o Senhor de tudo tenha pleno e absoluto controle. Senão, não seria soberano sobre todas as coisas.
E é nesse momento que eu me pego pensando como é que uma pessoa pode achar que foi o acaso, um descuido, um esquecimento que fez com que gerasse um ser humano, uma pessoa que virá ao mundo e dependerá de si, e um dia crescerá a fará seu próprio caminho.
Eu não tenho a pretensão de pensar que o meu filho será meu. Que ele ficará aqui comigo o tempo todo. Eu sei que terei de preparar um ser para o mundo. Não para mim.
Mas, afinal, foi para isto que eu ganhei óvulos, útero, seios, braços... Foi para isto que meu corpo foi preparado.
Aos 30 eu já sei que a gente ama simplesmente porque ama. Eu não tenho mais a ilusão de que as pessoas são perfeitas. Eu, aliás, detesto perfeição. Acho que a beleza está é nos pequeninos detalhes que destoam da totalidade.
E fico pensando que é por isso que um ser gera outro ser. Para amar. Para aprender, de fato, o que é o amor. Para aprender o que é compartilhar. A ser família.
E agora meu corpo quase que grita para mim que já está chegando a hora de isto acontecer.
E eu me pego com medo da possibilidade de isto não ser possível.
E eu sinto uma tristeza enorme por isto. Porque, como sempre, eu tenho medo do futuro. Do que será. Do que ainda não é.
Remoendo a impressão de que pode ser que não aconteça. E se acontecer, se eu vou ser uma boa mãe. Se saberei me dividir em vários papéis.
Será que continuarei a ser uma boa companhia - se é que eu já fui algum dia?
Será que vou dar conta continuar me arrumando?
Será que vou conseguir seduzir meu companheiro de existência?
Será que conseguirei deixar meu bebezinho em casa para ir trabalhar?
Será que eu vou conseguir ser uma boa dona de casa?
Será que eu vou conseguir, afinal, dar conta de todos os papéis que, enfim, fazem uma mulher ser uma mulher?
Tantos outros "serás" ficam a martelar em minha cabeça louca...
Eu quero ser mãe. Mas, sem deixar de lado a pessoa que me ama e a quem amo. Sem esquecer que antes de qualquer coisa eu preciso ser eu mesma. Porque o bebê um dia vai deixar de depender de mim para tudo. Vai engatinhar, caminhar, vai para a escolinha, se tornará adolescente, jovem, vai namorar, casar e vai embora de casa... E sobraremos eu e o meu amor...
E o que teremos em volta? O que será de nós?
Mais e mais perguntas...
Eu sei que só o tempo pode responder. Eu sei.
Mas, não me furto o direito de pensar em tudo isto...
Afinal, de que me serviria ter 30 anos - e um tantinho mais - se eu não tivesse a capacidade de pensar em coisas que, de fato, podem acontecer?
É, Meu Bem... Acho que a escolha por Sofia não é por acaso. Penso que, ao cabo de tudo, ela é que irá me responder a estas tantas perguntas... Sabedoria não é para todos.
Amo!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aos 30 - e meio!!! - eu já sei de algumas coisas:
DE-TES-TOOOOOOOOO:
  • Falta de educação
  • Intromissões na minha vida
  • Comparações da minha vida com a de outros
  • Que digam o que estou sentindo - quando não é verdade
  • MENTIRA - odeio!
AMOOOOOOOOOOO:
  • Rir
  • Estar com meus amigos
  • Estar com a minha "louca" família
  • VERDADE
  • Olhos nos olhos (ups, Amado... Não vale olhos nos olhos para eu ficar vesguinha - mais do que já sou...)
Ah... Isso tudo é só para lhe dizer, Amor, que cheguei até aqui depois de uma árdua caminhada e os nossos caminhos se cruzaram. Agora, juntos e de mãos dadas no corpo, na alma e no coração, eu quero que saiba que eu AMO também:
  • O jeitinho como seus olhinhos se apertam para sorrir...
  • O sorriso lindo que se abre logo depois
  • O modo como ri de minhas palhaçadas...
  • O jeitinho de protestar quando eu mando - hehehehehe!!! (Aperta os olhinhos também!)
  • O som da sua voz - tão agradável. Aliás, eu já lhe disse que você tem uma linda voz e que é muito afinado... Vamos fazer uma dupla?
  • O seu abraço... Um dos mais aconchegantes do mundo!
  • Seus cabelos ao vento. E entre meus dedos.
  • O jeito que tem de acalmar minhas tempestades
  • A vida que tenho ao seu lado...
É... Acho que valeu a pena chegar até aqui...
E eu quero continuar assim: Mãos dadas pelo caminho... Meu caminho no seu, seu caminho no meu. Assim!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Muitas, muitas mudanças na vida...
Sem internet em casa, entretanto.
E com uma saudade grande de ver gente que eu nunca vi.
Com uma "coceira" na alma por querer muito escrever.
E com um medão danado do que está por vir.
E com uma alegria imensa por, finalmente, tantas coisas boas estarem acontecendo ao mesmo tempo.
Tempo... Coisa que, quanto mais velhos ficamos, menos achamos.
É o preço por ter de viver. E é a alegria por poder viver!
Volto logo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lições

Também aprendi:
Posso sentir medo. Muito medo. Ser muito medrosa. E eu sou mesmo.
E nesta lição, o que se conclui é que o bom do medo são os dois caminhos que se abrem: A covardia e a coragem.
O corajoso não é o que não tem medo. É o que os tem e os enfrenta. Mesmo sabendo que pode se machucar.
As cicatrizes nos servem para mostrar que vivemos. Eu tenho várias e várias. Não sei se sou corajosa, entretanto.
Tenho medos que não sei se posso enfrentar. E o novo é sempre um medo. Grande. E que é, a cada dia, maior.
Outra lição: Se temos uma mão para segurar, tudo isto fica mais fácil.
Salomão sabia mesmo das coisas: "É bem melhor serem dois do que um".
As lições da vida são muito duras. Mas, para quem se arrisca a passar por elas, é um alento saber que a própria vida é o prêmio.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Aprendendo a aprender


Há tempos eu me pego pensando a respeito de haver chegado nessa etapa da vida. Porque tenho um objetivo primordial: Aprender.

Principalmente aprender com os meus erros. Para não cometê-los novamente, e para não sofrer tanto mais.

Os que buscam a sabedoria aprendem com seus próprios tropeços. Os que são realmente sábios observam o caminho, caminham por ele e procuram não cair na pedra que já viram antes - e na qual muitos já tropeçaram.

Eu já percebi, no entanto, que muita gente com quem falo - principalmente os mais jovens - parecem não dar muito crédito ao que eu posso dizer a eles.

Quando, por exemplo, eu faço algum comentário a respeito de casamento, alguns me olham com aquela cara: "Não conseguiu conservar nem o seu, vai dar pitaco na minha vida"?

Queria poder abrir a cabeça da criatura só para que ela soubesse que, justamente porque eu tropecei NAQUELA pedra é que eu estou dizendo que ela pode lhe fazer cair. E seriamente.

Daí porque eu acho que sou uma pessoa em busca da sabedoria.

Não obstante, eu ainda tropeço. E muito. Mas, se alguém puder acreditar que os meus erros me fizeram aprender alguma coisa, eu tenho um bocado a ensinar.

Hoje eu sei, por exemplo, que não sou forte. Sou é muito frágil. Eu achava que poderia resistir ao poder de uma paixão, que eu só sofreria se quisesse e que só amaria a quem eu escolhesse amar.

Pura ilusão! Ilusão de menina. Quando cresci e virei mulher entendi que paixões são incontroláveis, que sofrimentos são inevitáveis e que o amor não escolhe. Ele simplesmente é.

E que há milhares de formas para ele.

Aos 30 anos eu entendo que o amor não precisa de motivos para acontecer. Há muitas formas, entretanto, de se confundir outros sentimentos com amor.

Se eu digo que amo alguém porque é maravilhoso comigo, porque é belo, gentil, delicado, afetuoso, atencioso, etc, etc, eu estou apenas expressando a minha admiração pelo que eu entendo ser qualidades.

Sim, porque nesta altura da vida eu já entendi também que, muitas vezes, o que eu acho que é defeito pode ser um atributo que EU não possuo.

Eu admiro - ah como admiro! - a pessoa que não está nem aí para o modo como se aperta o tubo da pasta de dentes! Pois, apesar de eu DE-TES-TAR pegar o tubinho todo amassado, eu sei que essa minha neura é uma coisa à toa. Mas, isto é algo que me incomoda profundamente, embora também saiba que é o tipo de sentimento que eu AINDA consigo controlar.

Hoje eu procuro segurar a minha onda. E a não segurar mais tanto assim.

Como disse a minha querida amiga Claudinha, que já está a alguns anos de experiência à minha frente, aos 30 a gente já não quer mais apenas agradar como fazia aos 20.

Eu tinha um desespero enorme por não magoar, por fazer apenas aquilo que agradasse aos outros e não necessariamente a mim.

Aos 30 - e uns meses já - eu compreendi que não posso agradar a todo mundo. E que, no fim das contas, quem restará nessa ciranda da vida sou eu.

Óbvio que eu ainda sinto muito medo de magoar. Só que eu tenho muito mais consciência daquilo que me dói com profundidade. E, por isso, não deixo mais que atitudes alheias e que me machucam, sejam repetidas ao ponto de me ferir demais.

Agora eu sei que minha família é meu porto seguro, mas que os meus não são eternos. Sei que sou louca por gatinhos e cães e que eles me acalmam muito. Sei que me sentir só me dói. E que me sentir sem lugar tira minhas energias.

Sei que vale a pena tentar, ainda que as tentativas não redundem em coisa alguma, pois é disso que é feita a vida.

Eu aprendi que é muito mais fácil falar do que agir. Mas, que eu posso me colocar no lugar do outro.

Que eu quero muitas coisas, mas que não poderei - jamais - ter muitas delas. Nem por isso eu me sinto frustrada.

Eu agora sei, mais do que qualquer outra coisa, que é urgente viver. Mas isto não implica em viver sem responsabilidade. Sei do que gosto. E também sei do que não gosto.

Hoje eu ainda tenho um pouco de medo de dizer que gosto mais disto do que daquilo. E sei que daqui a algum tempo isto vai passar. Afinal, os anos vividos nos dão licença para sermos cada dia mais nós mesmos.

E hoje, aos 30, eu sou mais eu do que fui aos 20. Mas, foram a soma dos 20+10 que resultaram em uma pessoa mais franca, mais aberta, mais corajosa e também mais cautelosa. Principalmente consigo mesma.

Sim, afinal, foi agora que eu aprendi - também - que toda ação começa em mim mesma, assim como a reação que ela provoca. Por isso, eu sei que tudo quanto eu disser, tudo o que eu fizer tem consequências, e que eu devo enfrentá-las, sejam elas quais forem.

E a vida começa mesmo aos 30... E há quem discorde. E eu torço para que, quando eu chegar aos 40, eu possa repetir a mesma frase e criar outro Blog. Pois, sei que lá na frente eu recomeçarei e direi: A vida começa aos 40. Para que possa começar, enfim, o 40 em Uns!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ao pé do ouvido...



Sabe, uma pena que só agora eu tenha certos despudores. Para muita coisa. Com meu corpo, com minha vida, com minhas coisas, com meus olhares, com minhas preferências, com o que digo. Uma pena porque essa liberdade teria me livrado de um monte de problemas, muitas noites de insônia e várias crises de gastrite.

Por exemplo, poder dizer para um Bofe: "Olha, é o seguinte, eu sou mulher e, como toda mulher, eu gosto de me sentir desejada além do desejo, não só quando você está com vontade de me pegar pela cintura, me dar aquele beijo para rolar aquela transa".

Eu, como toda mulher, quero ser conquistada todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Um homem, para me conquistar, deve ter necessidade de mim longe - também - de suas necessidades animalescas básicas.

Ser gostosa, não só durante o sexo, mas também quando eu saio do banho de touca de plástico na cabeça, enrolada naquela toalha de todos os dias, cheia de respingos d'água pelo corpo. E também quando eu estiver com a cara lavada.

Quero ser acordada com o chamado de um olhar sobre mim, aquele olhar terno dos que vigiam sonos. E, quando eu despertar - olhos inchados de dormir - nossos olhares se cruzarão e, sem qualquer palavra, eu vou sorrir por perceber que sou desejada além do desejo.

Aos 30 anos eu já sei bem o que me dá prazer. Não só na alcova, mas na vida.

Sei os aromas de que gosto, as texturas que me agradam, os sabores que me são agradáveis, e o que me é belo... E, nisto tudo, também está o fato de que agora eu sei onde, como e quando eu quero ser tocada.

Por isso, quando eu disser que tal perfume não cai bem, vai por mim, é porque não cai.

Ok, eu dou licença para me alertar também sobre tal fato. Para me dizer que eu fico apetitosa com calça apertadinha quando o que eu gosto é de calça larga, para me dizer que prefere este àquele perfume, e para me dizer quando eu estiver engordando.

Por um simples motivo. Eu quero muito ser desejada pelo meu homem. E o bom senso me diz que uma pessoa adulta sabe o que deseja. Assim como eu sei o que eu desejo.

Então, recado de uma Balzaca, assim, numa conversa ao pé do ouvido:

Vai por mim, Bofe! Vai por mim. Uma mulher pode ser o que você quiser que ela seja. Basta que ela se sinta... Mulher! Olha para ela com aquele olharzinho sem vergonha numa hora nada a ver. Olha para ela com admiração quando ela estiver passando pano no chão, quando etiver com aquela cara de brava - quase sempre por coisa nenhuma. Dá um sorriso inseperado quando ela, repentinamente, voltar seu olhar para você. Ofereça seu silêncio quando ela vier com milhares de histórias para lhe contar sobre um montão de coisas que aconteceram no dia dela.

Leva-lhe flores sem quê nem porquê. Diga a ela que uma bela música lhe fez lembrar dela. Ajude-a! Sim, ajude-a. Não espere o tempo todo que ela lhe peça algo...

Abrace-a sem motivo aparente... Um abraço bom, de corpo inteiro, demorado. Diga como ela está maravilhosa com aquela calça jeans + camista + rasteirinha + rabo de cavalo... E quando ela vestir aquele pretinho básico com pérolas, e fizer uma maquiagem mais elaborada e um penteado de diva, diga que ela está deslumbrante!

Pergunte se ela precisa de algo, de alguma ajuda. Ofereça pequenos gestos cotidianos. Compre lingeries para ela... Aquele perfume que vocês dois gostam...

Menino, não vou lhe enganar, não! Tudo isto aí custa muito pouco perto do prazer que ela vai lhe dar sempre. Porque o sexo, para a mulher, começa bem longe da cama. Ele começa pelo modo como você fala. Pelo seu olhar. Pela forma com que ela é tocada.

Contudo eu quero lhe dizer algo que, à parte tudo isto aí acima, é infalível: Se você a ama, nunca, jamais em tempo algum esqueça de dizer a ela. Nada mais afrodisíaco para uma mulher do que um homem que a ama. E que não tem medo de dizer: Amo você!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mas, hein?


Bem que me diziam, e eu li também, que quando a gente faz 30 anos o metabolismo fica mais lento.

Olha, eu fico aqui pensando quanta injustiça há nisto. Vejam bem, quando a gente faz 30tinha fica mais resolvida, sabe melhor o que quer, não tem mais tanto medo de dizer o que vem à cabeça, e não tem mais aquele pavor - que nos assola aos 20 e tantos anos - de ter de agradar a todo mundo.

Com três décadas de existência, olhamo-nos no espelho e gostamos - ou não - definitivamente do que vemos. Somos mais bem resolvidas com nosso reflexo e mais generosas com nossas imperfeições, justamente porque sabemos que elas nos dão aquele charminho gostoso, sabe como é?

Bom, eu pelo menos penso assim. Às favas se vão ficar reparando na minha celulite ou nas estrias que tenho no derrière... Afinal "eu sei que eu sou bonita e gostosa, e sei que você me olha e me quer"...

Então, não é injusto que exatamente nessa época tão boa da vida a gente fique com o metabolismo mais lento, o que faz com que aquelas rabanadas do fim do ano passado parem todas nas suas coxas e no culote?

Fala sério, né? Agora, se eu for fazer a dieta dos pontos, eu vou ter de fazer um cálculo diferenciado porque eu tenho 30 anos e meu metabolismo está indo ladeira abaixo...

Tudo fica realmente diferente no nosso corpo.

Por exemplo, repentinamente eu tive vontade de ser mãe... Claro que sempre tive vontade de ter filhos, mas esta vontade ficou guardadinha na "gavetinha" do meu coração por uns bons anos. Quando os 30 anos estavam para chegar, no entanto, parece que uma sineta de alerta começou a soar dentro de mim como quem diz que meu corpo já está perdendo o prazo de validade. Claro que a medicina evoluiu horrores, mas acontece que o meu corpo é quem fala o tempo todo que está ficando tarde.

Nós mulheres já nascemos com toda a quantidade de óvulos que iremos liberar durante toda a vida. E eles envelhecem e perdem a qualidade, assim como nosso corpo vai perdendo a vitalidade. Estamos chegando ao topo da pirâmide da vida, e depois é só declive...

Sei que é cruel dizer isto. Só que é verdade!!! Tudo o mais que fazemos é retardar o inevitável.

Outro dia fiz uma ecografia dos seios e descobri que eles já estão "parcialmente liposubstituidos". Isto na linguagem leiga quer dizer solenemente: "os peitos dela logo, logo cairão"... Isto é fato!

Tudo fica mais difícil: Engravidar é mais difícil, as gripes saram mais devagar, perdemos muito da elasticidade... Coisas que os avanços tecnobiológicos nos ajudam a solucionar - e eu vou correndinho atrás deles!!!

Quase 5 quilos, foi o que meu metabolismo mais lento me deu de presente de 30 anos... O povo tem dito que estou melhor assim... E dizem que "a voz do povo é a voz de Deus"... Mas eu não estou achando divertido perder minhas calças quase todas...

Não que esta seja uma resolução de Ano Novo... Mas preciso urgentemente de fazer meu metabolismo se lembrar que é aos 30 anos que começamos a viver...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Selinhos!!!




De Além-Mar vem os Selinhos que ganhei - já faz bastante tempo - tão carinhosamente da minha amiga Gabi querida de Todososdias!
Lindeza, agradeço demais por todos eles!!!
Bom, eu tenho de responder a algumas perguntinhas:
  1. Mania: Pensar.
  2. Pecado Capital: Eita! Conto, não!!! Hehehehehehehe!!!
  3. Melhor Cheiro do Mundo: Ah... Gosto de tantos cheiros. Mas, acho que quando estamos amando, é o cheiro do ser amado. Quando eu for mãe - se eu for - acho que será o cheiro do meu bebê...
  4. Se o dinheiro não fosse problema: Eu seria mais tranquila ainda do que já sou.
  5. História de Infância: Nossa! Tenho tantas. Nem consigo enumerá-las... Já até contei algumas no Universo...
  6. O que não gosto de fazer em casa: Lavar Louça - DETESTO!
  7. Habilidade na cozinha: Muitas! Modéstia à parte, cozinho muito bem!!!
  8. Frase preferida: "Amor é sede, depois de se ter bem bebido", fragmento do Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (simplesmente o melhor)
  9. Passeio para o corpo: Um banho beeeeeeeeeeeeeeeeem demorado...
  10. Passeio para a alma: Nossa... Andar de mãos dadas com quem ama... Não importa o lugar. Mas, o Rio de Janeiro, mesmo só, conserta minha alma quando ela está quebrada, alegra quando ela está triste, e faz festa quando estou alegre... É o lugar que minha alma mais ama no mundo inteiro!
  11. O que me irrita: Mentiras. E gente que pensa que sabe mais do que eu o que eu sinto.
  12. Frases e palavras que eu mais uso: Bom... Falo alguns palavrões que não vou colcar aqui. Mas, frases, em geral eu gosto muito dos ditados romanos... Tipo: Alea Jacta Est, Tempus Fugit, In Vino Veritas...
  13. Palavrões mais usados: Gente... Vou dizer aqui não!!! Hehehehehehehe!!!
  14. Talento oculto: Cantar... E nem é tão oculto assim!
  15. Não importa que esteja na moda, eu nunca usaria: Meia arrastão.
  16. Queria ter nascido sabendo: A não sofrer por amor.

A segunda regrinha é mandar estes selinhos para outros Blogs, os quais eu indico aqui:

Demais pra Minha Cabeça

Vou Mais Leve

Fufuquices

Coisinhas da Thica

As Pintas de Um Dálmata.

Até gostaria muito de indicar outros, mas esses já receberam também da Gabi...

Beijocas enorrrrrrrrrrrrmes dessa Balzaca que andou desaparecida daqui, mas que está de volta - na medida do possível e parco tempo que tem agora!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

30... Em umas decisões aí...

Umas das coisas de que mais gosto nessa história de 30 anos, é o direito que adquirimos de, aos poucos, nos livrarmos de certos pesos.
Dizem que pessoas velhinhas tem o direito de dizerem o que quiserem quando bem entendem. E acredito que isto é fruto das cadeias das quais vamos nos livrando ao longo da vida.
Bom, claro que os "freios" ainda tem de existir enquanto somos jovens, pois trabalhamos, estudamos, dependemos de pessoas que, muitas vezes, são extremamente desagradáveis. Toleramos porque, frequentemente, são criaturas que tem ascendência sobre nós.
Eu, graças a Deus, sempre tive muita sorte de trabalhar com pessoas magníficas. Só que, não sei por que cargas d'água, eu, volta e meia, esbarro em gente que é, digamos assim, no mínimo, mal educada.
Sempre atraí a antipatia de alguns. Pouquíssimos, é verdade. Mas, sempre há um.
Acho, é claro, que eu beiro o insuportável com meus modos um tanto afetadinhos. Com meu jeito de andar com os pés sempre adiante um do outro. Com essa postura de quem engoliu um cabo de vassoura e esse nariz empinado. Esse olhar meio blasé, esse jeito de falar...
Mas, apesar de tudo, acredito que o que passei ao longo da vida, me dá o direito de ser o que eu bem entender. Até antipática, se for o caso. E de dizer, quando, onde, para quem eu desejar, o que eu quiser.
Ainda mais quando me sinto em meu território.
Então fica acordado, combinado, contratado, que eu serei apenas o que eu desejar ser. E que eu me restrinjo o direito de ser educada, cortez, gentil e civilizada na maior parte das vezes. Mas que, quando pisarem nos meus calos, quando magoarem as minhas feridas, quando ofenderem minha honra, quando matarem os meus sonhos, quando infringirem minhas leis, quando desmancharem meus costumes, quando me calarem a voz, quando eu acordar com o pé esquerdo, eu vou dizer o que penso, vou xingar, vou gritar, vou gemer, vou chorar e até me calar.
Afinal, passei um terço da minha vida calada. Muda. Quando eu era ferida eu gemia baixinho. Quando era contrariada, eu ficava em silêncio porque tinha medo de magoar. Quando eu era elogiada, eu baixava os olhos porque não acreditava e achava que nem tinha o direito de acreditar. Quando eu desejava, eu freava minhas vontades, porque temia machucar os que amava. Quando me irritava eu dormia para esquecer. Mas, não esquecia. E as vozes do meu coração sempre estavam lá, apesar do meu silêncio. E, a despeito de minha calma, a despeito de meus olhos baixos, apesar da minha incredulidade em mim mesma, a vida passou. Depressa demais. Devagar demais.
Os fios de cabelo já teimam em descorar. E o corpo já não é mais o mesmo. O sono é prejudicado mais facilmente. Porque agora eu não quero esquecer de nada. Muito pelo contrário. Quero é lembrar. Desejo ardentemente a vida que se impõe, poderosa, à minha frente, com a sede dos que vagueiam pelos desertos em busca de água, de alimento e de gente.
Eu aprendi - e levei três décadas para isso - que, independentemente do que eu faça, alguém sempre vai falar mal. E alguém sempre me amará.
Aprendi a não abrir mão de coisas que me dão extremo prazer e, o mais importante, a não ter vergonha disso. Eu tenho direito sim!
E, se me dá prazer ir ao cabeleireiro dar meus olhos para pagar por um tratamento VIP, para ser bajulada - ainda que eu saiba que é só pelo meu dinheiro - eu vou.
Se me enche de alegria - ainda que momentaneamente - ir àquela loja que eu amo, cheia de meninas que amo mais ainda e comprar aquele vestido lindo que vai me deixar penduradinha por uns 3 meses, eu vou que vou!!!
Gente! Estou em um processo de aprendizagem importantíssimo e irreversível: O de me amar!
Eu sempre desejei ardentemente amar alguém mais que tudo no mundo e de fazer esse alguém feliz. Claro que ainda desejo isto. E desejo ter uma família bem linda e alegre.
Isso é algo que me faz extremamente contente também: Ver as pessoas que eu amo felizes me faz pagar qualquer preço. Só que isto, agora, tem um novo componente: Me faz pagar qualquer preço, desde que eu não tenha de me vender. Desde que eu não tenha de vender a minha própria felicidade.
Pois, só posso fazer dos meus olhos uma janela porque eu me vejo em um espelho. E, por um bom tempo, as luzes da minha vida estavam apagadas, razão pela qual eu não podia enxergar a minha própria existência.
As luzes começaram a se acender há pouco mais de um ano quando um dia, despretenciosamente, alguém me disse que eu era bonita. Foi como uma campanhia que soou estridente dentro de mim, dizendo-me que a vida era muito mais do que o que eu tinha.
Imagino que possa alguém ler essas palavras e pensar que estou menosprezando o que eu tinha. Não! A vida me era como um sono necessário à reparação de um cansaço existencial extremo. E eu acordei depois de muito descansar. Simples assim.
Agora, eu me sinto bem melhor. Tudo é muito real.
Diferente de quando eu olhava ao meu redor e parecia que eu não cabia em nada e que nada cabia em mim. Aquela vida era como uma roupa apertada que toleramos por um determinado tempo, depois não dá mais.
Hoje eu tenho uma rotina muito mais difícil, tenho de pagar minhas dívidas, tenho de comprar aquilo que é necessário para mim, tenho de esquentar a cabeça como coisas que antes eu não esquentava. Mas, quer saber? Como isso é bom! Muito. Demais da conta!
Agora, até as tristezas que eu enfrento eu devoro com gosto de mel! E o motivo é muito simples: Eu sou gente! E vivo! E a cada manhã eu penso: Bom, menos um dia eu tenho agora para viver. E esse presente que me é dado vou desfrutar como aquele prato caríssimo, feito com trufas negras, salpicado de pó de ouro que eu tanto cobiço... Sei lá! Vai que nunca mais eu tenha a chance de provar... Se morrer envenenada, pelo menos morro com pó de ouro na boca... E com um gosto magnífico de trufas para lembrar por toda a eternidade... Hehehehehe!!! E ainda vou achar que morri muito bem... No mínimo será em um restaurante first class!
Coisas de uma balzaca maluca, que ama o amor, que é feliz e que agora acrescenta mais uma qualidade aos seus 30 anos - para fazer jus ao nome do Blog: A de ser ela mesma!
Aiai... Ufa!

domingo, 1 de novembro de 2009

Mandou, obedeço.

"Linda, nunca mais tenha medo
Pois quem ama tudo pode vencer..."
Roupa Nova.
Ter 30tinha é também gostar demais de coisas que balzacas em geral gostam... Roupa Nova é uma delas. Roupa Nova na loja - claro - e Roupa Nova que canta Sapato Velho, Dona, Coração Pirata...
E daí, última madrugada, eu me peguei prestando atenção a este trecho de Linda. Música belíssima, por sinal. É porque eu estou cheia de medo... E esta música sabe que eu amo. Amo o amor.
Será que quem ama o amor - ele só - pode mesmo tudo vencer? Até a si mesmo?
Sim, porque, uma das coisas que se acrescentam às décadas que somamos é o fato de saber que nosso pior inimigo - ou amigo - somos nós mesmos.
Aprendemos o real significado do que nos foi ordenado em Cristo: "Amar o próximo como a si mesmo", porque, se não nos amamos, tampouco temos parâmetro para gostar do outro. Se não nos respeitamos, tampouco respeitaremos quem quer que seja.
Se não temos cuidado com o que é nosso, não daremos o devido valor ao que é alheio.
Acho que é isto, então. Estou no estágio probatório de amarasimesmo... Amar a mim.
Preciso passar nesse teste...
E acho que estou conseguindo. Acho.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ter 30 anos não é mais como ter 20...
Há dez anos eu digitava sem parar e não sentia nada. Agora, a mão esquerda está gritando de dor... Consequência da minha inconsequência... Fazer o que? Os 30 a gente aprende também que a Lei do Retorno existe meeeeeeeeesmo!
Então, é hora de fazer escolhas: Poupar as mãos no trabalho, ou poupar as mãos no lazer - não menos necessário à minha sobrevivência.
Não posso parar de trabalhar. Então, minha "voz" está um pouco rouca e as palavras têm de ficar um pouco mais escassas...
Tem nada não. Os pensamentos, enquanto isso, voam longe. E a saudade de dizer o que sinto fica cada vez mais forte!!!
Beijos a todos os que tem se preocupado comigo!!!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mãos Dadas


Iluminada pelo cometa que passou lá no meu Universo Verbal, comunico aqui também que o 30 em Uns acaba de aderir à campanha Outubro Rosa! Segue a cópia do texto postado lá no Universo:

"Outubro Rosa é o nome do movimento. Mas, ele tem de começar, na verdade, dentro de cada um de nós, numa movimentação íntima, um desejo enorme de se amar e se cuidar.
Outubro foi o mês escolhido para se lembrar do cuidado que nós mulheres devemos ter com nosso corpo.
É o mês dedicado às crianças. Talvez por isso mesmo tenha sido escolhido para a campanha. Afinal, são os seios que oferecem o primeiro alimento da vida.
Providências simplérrimas - que é se autoexaminar todos os meses e ir ao ginecologista ao menos uma vez por ano e fazer mamografia ou ecografia dos seios - pode salvar milhares de vidas.
O Outubro Rosa serve para lembrar o quão maravilhoso é ser mulher, e o quão importante é que nos cuidemos. É imperiosa a necessidade de diagnósticos precoces...
Só temos uma vida para viver, então, é importante que valorizemos aquilo que nos é dado tão graciosamente... E, mais do que desejar viver, é mister desejar viver com qualidade e muuuuuuuuuuita saúde!!!
Meninas e meninos: Divulguem o Outubro Rosa! Quem sabe assim a gente não consegue diminuir a incidência de mortes causadas pelo câncer de mama no Brasil e no mundo?
Beijos enormes!!!"
Para informações mais completas, acessem os links abaixo!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

30 e Uns... Abraços

Chegar a um determinado ponto na vida não é fácil, o que não significa dizer que é ruim.
Antes, pelo contrário, o caminho que se percorre pode mostrar muitas paisagens. O modo como as vemos é que determinará o que pensamos ou deixamos de pensar a respeito delas.
O que sei, é que diante do calor eu desejo o frio. Mas, se está frio demais, eu desejo estar confortavelmente aquecida.
Amo a chuva. Mas, quando chove demais, eu bem quero ficar em um abrigo. Mas, não desejo que pare de chover.
Somos sempre assim, insatisfeitos com o que vivemos. Queremos sempre algo mais e eu me pergunto o que esta motivação - o que agora tenho a tentação de chamar de "as pernas que me movem pelo caminho" - deseja do restante de mim.
Essas pernas estão sempre impelidas a se moverem para um lugar que não sei onde, e pisam em todo o tipo de terreno ignorando o que pode estar pela frente, e não querem parar...
Hoje meu coraçãozinho queria parar o tempo, por um átimo de segundo que fosse. E nessa partícula ínfima de um instante, eu faria uma eternidade inteira para ter tempo de pesar, no meu coração, aquilo que ele deseja.
Não quero me prender novamente a um comodismo confortável. Não quero voltar à Caverna de onde há pouco tempo eu saí, tampouco quero entrar em outra caverna... Quero ser livre!
E, o que eu faço então? Ando na chuva? Sinto o calor do sol que queima meus ombros? Sigo caminhando ou paro? Ignoro as milhares de cavernas do caminho?
O que faço? Eis as famosas "partículas infernais" pairando novamente sobre a minha mente e meu coração!!!
Ontem, eu senti medo... Senti alívio. Senti dor. Senti calor. Fome. Comi. Ontem eu lembrei muuuuuuuitos anos da minha existência. Fiquei triste. E alegre também. Senti vontade de deitar sobre a grama e deitei. Senti um frio de tremer... E recebi um abraço gostoso e quentinho... Aconchego dos melhores. Bom! Teria sido outro momento para ficar eterno... E ficou... Na lembrança daquela lua linda acima de mim, naquele calor e no cuidado que recebi.
E hoje, eu acordei sem saber direito de nada da vida. Todas as minhas certezas desapareceram e, repentinamente, eu desejei desesperada que uma voz do além, cheia de sabedoria infinita, me dissesse o que fazer...
E conheci um texto de Saramago que não conhecia ainda... O Conto da Ilha Desconhecida. E eu me vi num mar português de uma Gabi lá de além mar...
E eu, sem mais nem menos, passei a ser aquele Capitão que jamais havia navegado e assim mesmo pediu um barco ao Rei para ir atrás da Ilha Desconhecida.
O problema é que, após ser encontrada, ela passaria a ser conhecida... Aí é que começam os problemas... Eu achei os meus 30 anos... Uma Ilha Desconhecida que habitava os meu coração.
E, de uma frase tão simples, que ouvi há mais de um ano atrás - e da qual ontem eu relembrei - resoluta deitei à porta das petições até que o monarca me atendesse... E ganhei um barco... Pensei que havia encontrado quem houvesse saído pela porta das decisões para acompanhar meu delírio louco de uma viagem mais louca ainda rumo ao desconhecido.
O que eu não sabia é que a Ilha deu-se a conhecer e passou a ser conhecida. E eu só quero conhecer o que não conheço ainda.
Os portugueses amigos nos falam do mar porque o amam. E eu falo dos caminhos porque sempre neles vivi. Nos caminhos da minha infância, nas estradas que me levavam à fazenda, depois ao sítio, depois para casa, e ainda muitos rumos até chegar ao mar, muitas vezes... Mas, do mar eu amo os mistérios e o som... Mais do que qualquer outro no mundo até agora.
Só que eu amo mais ainda os caminhos que me levam a outros lugares... Pois o conhecido eu já não quero porque se deu a conhecer... Quero o que os meus olhos ainda não viram em mim...
Mas, ali, naquela curva ali, esconde-se algo que minhas pernas estão desesperadas para encontrar, meus pés não querem enfrentar, meu coração não quer sentir, e a minha mente não quer escutar... Mas, as pernas são enlouquecidas... Não querem parar. E eu preciso parar porque estou cansada demais agora. Só um pouquinho, eu queria aquele abraço gostoso de ontem... Só mais um pouquinho... Porque eu amo abraços... Outra coisa que descobri de mim... Que amo abraços.
E, se abraço apertado alguém, é porque desse alguém gosto demais e guardo este gostar como uma jóia muito preciosa...
Que não quero perder, e não quero arranhar... E, por ela, eu até pagaria o preço do afastamento do abraço... Porque para nos afastarmos também é preciso um primeiro passo. O que é o início de um caminho outro... Desconhecido.

sábado, 26 de setembro de 2009

Caminhos...

Dúvidas são aquelas partículas infernais que pairam nas nossas cabecinhas de vez em quando...
Ligo ou não ligo?
Vou ou não vou?
Faço ou não faço?
Como ou não como?
Ontem, meu amigo Paulo me mandou uma mensagem. Um texto do Henfil que falava a respeito de felicidade.
Dizia ele que a gente não tem de esperar oportunidades para ser feliz. Que a felicidade é uma viagem, não um destino.
Concordo. Sim. Concordo.
Aqui do alto dos meus 30 anos - como se fosse muita coisa - eu começo a enxergar algumas coisas que não enxergava antes.
Uma amiga minha muito querida me disse ontem que eu desabrochei. Também concordo. E estou de acordo com ela quando me disse também que não é fácil e que dói.
Ela que o diga. Pois passou comigo maus bocados... Se não fosse ela não sei o que seria de mim quando tive de sair de casa às pressas sem ter uma mala para colocar minhas roupas.
Nessa minha jornada rumo ao terceiro ciclo de minha vida, eu aprendi muitas coisas. Uma delas é que a gente pode andar retamente por toda a vida.
A conclusão a que chego é que não importa o quão direito você tenha andado pelo caminho. Não importam quantas foram as pedras em que você não tropeçou. As feridas surgirão dos tropeços que você deu, não dos que não deu.
Depois disto, o que nos resta na vida é sarar. E suportar a dor por pior que ela seja.
Não é possível colar cristais. Assim como não é possível consertar aquilo que fizemos de errado na vida.
Mas, é possível arrepender-se e tentar não errar mais.
Só que, assim como não é possível deixar de notar o trincado do cristal, não é possível esconder por toda a vida aquilo que fizemos.
Por isso mesmo, no dia em que fui posta para fora de casa, eu aprendi a primeira lição: Escolher ao invés de ter dúvidas. Naquele dia eu optei por dizer a verdade. E poderia ter sido trágico.
Mas, não foi. Eu colhi Misericórdia e Graça. Porque havia a minha amada amiga-irmã e havia meus pais. E havia, acima de tudo e de todos, O PAI. Nunca havia sentido tanta paz.
Sabe, foi ali que comecei a ser feliz de verdade. Eu tinha momentos alegres e muitos momentos tristes e solitários.
Agora, mesmo só eu não sou só. E sou feliz porque não estou esperando coisa alguma.
Hoje eu passei um dia magnífico... Que muitos, porém, diriam ser sem graça alguma. Fiquei em casa, não coloquei os pés na rua. Eu mesma lavei meus cabelos, eu mesma os escovei. Daqui a pouco, quase 21h, eu vou fazer as unhas eu mesma.
Nessa minha jornada sei que vou me decepcionar ainda. Sei que vou chorar algumas vezes, sei que vou chegar cansada em casa, entediada, com cólicas, com dor de cabeça... E haverá dias em que eu vou acordar contente porque cheguei em casa exausta de taaaaaaaanto dançar. E dias em que terei feito um passeio agradabilíssimo em companhia de alguém mais agradável ainda.
Haverá dias de sol... E dias chuvosos que me farão lembrar da maior dor da minha vida.
Ainda lembro. E ainda sinto a dor cada dia que acordo e que está nublado e frio.
E os dias ensolarados e azuis agora ganharam vida nova para mim. Ainda que eu não tome sol, ainda que eu morra de calor e precise do meu indefectível leque, ainda que eu sue em bicas, os dias claros tem novo significado para mim que antes não tinham.
Continuo a gostar do frio. Mas, agora eu gosto mais dos dias azuis.
Pode ser, sim, que um erro cometido acabe com a nossa vida inteira. E jogue por terra tudo quanto fizemos e fomos. Sempre há, entretanto, o perdão a ser desfrutado.
Quando esse edifício cai, levanta muita poeira e por certo tempo não é possível ver além da terra que se levanta.
Mas, o que está em volta continua lá. A paisagem é a mesma. Assim é a nossa vida em torno dos erros que cometemos. O que somos não muda por causa de uma parte de nós que está em ruinas. Todo o restante permanece em pé.
Então, estou certa que o que fui durante quase uma década continuei sendo. Mas, o cristal trincou. Não faz mal. Continua cristal. Agora, o que sei é que quem assopra a massa para fazer o vaso resolveu quebrar o antigo e fazer um novo. E estou contente demais por isto.
Era um adorno legal. Mas agora é melhor.
Agora tenho de aprender a lidar com essas partículas que andam pairando sobre meu ser. As dúvidas. E estou meio desesperada pedindo ao Pai para não me deixar à minha mercê novamente, dando-me certezas.
Só que a estrada continua tortuosa. E não podemos ver além das curvas. Continua emocionante mesmo assim.
Mas, sabe, a única conclusão a que eu consigo chegar é que sou feliz. E não tenho esperado por nada, não. Sei que muitas vezes parece que sim, mas saiba que a vida tem milhares de sorrisos para mim e eu estou retribuindo a todos. E, quando as tempestades caem, eu vou lá e tomo um banho de chuva!!!
E vou caminhando sem destino. Aliás, meu destino é o caminho que sigo.
Por este caminho, ganhei presentes que acredito ser inestimáveis... Amigos que ficarão por toda a vida...
Não sei se estou certa mas, entre a dúvida entre ir ou não ir, eu vou. Entre ligar ou não ligar, eu ligo. Entre fazer ou não, eu faço. Entre comer ou não comer, eu como. Porque não sei se tenho só um segundo a mais para viver. Ou se terei mais cem anos. Não importa saber. O que importa na verdade é ter em mente que a vida é uma só, e que o tempo não volta para que eu faça 30 anos novamente... Bem que eu queria.
Porque está bom demais!!!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ano Novo. Mais Um. Ou seria Menos Um??????????

Provavelmente quando eu encerrar esta postagem já será Ano Novo para toda a comunidade judaica no Brasil.
Em diversos locais do mundo já é Rosh Hashaná.
Não sei explicar o motivo mas tudo na minha vida acontece mais ou menos nesta época do ano.
E, de fato, agora observando melhor, eu fico um pouco mais introspectiva.
Há um ano atrás, quando eu estava no olho do furação, foi um pouco antes do Rosh Hashaná que eu consegui um emprego.
Já estava desesperada com a possibilidade de estar desempregada. E tudo estava acontecendo. Tudo.
Estava triste, porém cheia de esperanças de que as coisas entrariam em seu eixo e eu, finalmente, conseguiria ter um pouco de paz.
Só que eu não entendia o que era isto até o dia em que fui forçada a compreender que, mesmo no meio do caos e do desespero, o coração está quieto e confiante de que tudo o que acontece tem um propósito específico.
Foi nesta época que escrevi uma oração ao Pai, externando tudo quanto eu precisava.
Naquele momento Ele me pegou da prateleira de sua Olaria e viu um trincado. E pegou e jogou aquele vaso fora e colocou novo barro na roda para ser formado novo vaso.
Aquele havia sido para a desonra. E acredito que o quebrou porque assim lhe aprouve em sua imensa Misericórdia.
Foi naquela mesma época que eu descobri meu enorme desejo de ser mãe. Simplesmente por ouvir uma voz - ainda que não tenha sido verdadeiro por parte de quem me disse - me dizer que um filho gerado com amor é o melhor presente que se pode receber da vida.
Naquele instante algo de mulher despertou em mim, como se estivesse em longo coma, aguardando uma cura surgir de algum lugar.
Eu pensava - e até agora eu não explicar o motivo e atribuo isto ao fato de que Deus é Soberano e sabe tudo de antemão - que não queria ter filhos. Embora, eu já houvesse desejado ser mãe.
Esta vontade simplesmente foi morrendo dentro de mim até o dia em que me peguei dizendo que nunca teria filhos.
No Rosh Hashaná passado, entretanto, eu pedi perdão ao Pai por haver dito isto um dia.
Algumas vezes eu ainda peço, com medo de que Ele entenda que não seria capaz de ser uma boa progenitora.
Como hoje isto me dói. Eu vejo pessoas com seus filhos e vejo em seus olhos todo o amor que um dia eu procurei. E sinto um vazio enorme entre meus braços.
Porém, mais do que um filho, eu quero uma família.
Para mim não bastaria ser eu e uma criança. Teria de haver um amor para formá-la, educá-la e dar aquilo que eu sempre recebi dos meus pais.
Tenho a sensação de que desejo continuar de alguma forma. O desejo de eternidade tomou conta de mim.
O Ano Novo Judaico é chamado também por eles de o período em que Deus julga os homens. Daí porque dez dias depois do início das festividades do Rosh Hashaná acontece o Yom Kippur, O Dia do Perdão, quando se suplica ao Eterno que perdoe mesmo o pecado que não se tenha consciência de se haver cometido.
Eu vivi muita coisa após o último período. Uma paixão viveu e morreu no tempo que tinha de ser. E me marcou profundamente porque me ensinou que eu queria muito ser mulher. E a mulher finalmente surgiu. Com todas as suas nuances: Da mãe à amante, todas elas despertaram ao mesmo tempo. E tudo quanto estava calado dentro de mim resolveu falar, cantar, gritar e chorar. Tudo!
Quando eu estava curada das feridas da alma e que faziam doer até o dedão do pé, surgiu um outro amor.
E foi booooooooom que só. E ruim, muito ruim o desfecho. Mas, tudo bem.
Agora, estou no limiar de um novo período de julgamento... Um período em que pensarei o que dizer a Nosso Pai, Nosso Rei acerca daquilo que necessito diante dEle.
Quantas profundas marcas mostrarei e quais Ele precisará ainda curar. A respeito de algumas sei que Ele apenas dirá: É... Cicatrizou bem. Agora aprenda e não faça novamente!
De antemão eu só sei dizer que aquela certeza toda de que tudo daria certo... Está aqui ainda. Mas está diferente e não tão infantil e desesperada.
Ainda bem que cheguei a mais um Rosh Hashaná, e que, por Graça e Misericórdia Ele me tem feito seguir, ainda que cheia de dores, sei que em todos os momentos foi Ele mesmo que caminhou por mim.
E carregou todos os meus pesos a ponto de eu, inclusive, poder ajudar outros a carregar os seus e ainda colocar sobre Ele, que tudo pode.
E vamos que vamos, caminhando sempre em frente. Porque o tempo não perdoa. E não volta.
Por isso, eu pergunto: Mais um ano, ou menos um?
Depende do referencial.
30 E Uns... Ao tempo em que subtraio muita coisa de mim...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Relembrar

Relembrar é revisitar o passado. Sem viajar no tempo. Nem no espaço.
Há lembranças que nos pesam da mesma forma como pesam as pernas que se movem em direção ao túmulo de alguém muito querido que há pouco se foi.
São como lutos de uma morte. Mas, a morte chega depressa. Sempre. Mesmo que se viva 120 anos. Ela sempre nos pega de surpresa. A nós e ao que morreu.
Aos que ficam, porque nunca, jamais em tempo algum estaremos preparados para separação advinda do sepultamento de um ente querido.
Ao que se vai, porque não conheço uma pessoa que tenha o desejo de se separar dos que ama.
Há, contudo, lembranças que são como ir àquele lugar que mais amamos.
Um dos sons mais lindos do mundo para mim é o do mar. Eu não gosto de praia. Não me dou bem no sol. Não acho a menor graça em ficar "furando" ondas, acho um saco a areia... Mas, sou louca pelo barulho das ondas.
Vou à praia e fico ali, sentadinha na areia só observando e me deleitando ao som daquela melodia.
Algumas memórias são assim para meu coração, como ouvir ondas quebrando na arrebentação.
Outras são ainda como um passeio a um museu. Lembranças de um passado que, muitas vezes, parece que não nos pertence. Passamos por ele, vemos, estão ali. Têm valor, mas é como se não fosse nosso. De tão distante chega a nos causar estranheza.
Acredito que pode ser assim que muita gente que não tem amor à arte se sente quando para lá no Louvre frente à Monalisa.
Já ouvi relatos de pessoas que ficam estarrecidas com o fato de um quadro tão pequenino ser tão importante na história da humanidade.
Passada a festa de aniversário eu fui ao meu arquivo de memórias e mergulhei em meu coração.
Foi tudo muito maravilhoso. Mas, um ano se passou, afinal.
Só que esse ano, começou em 1999.
Os 30 anos fecharam um ciclo que se iniciou quando eu ainda tinha 19 anos, em janeiro quando me casei.
Foi uma festa linda! 595 convidados ao todo. Um vestido de princesa, muitas flores, um jantar magnífico. No local que escolhi, na igreja que eu amava.
Tudo muito bom.
Depois das bodas, fomos para Israel, um dos meus grandes sonhos, e depois para a Itália.
Digamos assim que, hoje, eu pense naquela viagem como uma bela viagem... Turística! Não muito lua-de-mel. Porque não éramos o típico casal de pombinhos arrulhando pelos caminhos da Terra Santa, nem nas ruas do Velho Continente.
Acontece que meu ex-marido é uma pessoa maravilhosa. Mas, é extremamente racional. E eu cheguei à conclusão de que era melhor amigo do que marido.
E voltamos de viagem e a vida seguiu, como ele mesmo gostava de dizer, normalmente.
Eu, contudo, nunca fui uma pessoa normal. Não sou muito dada ao que consideram trivial.
Por exemplo, não gosto de arroz, não como feijão, e não gosto de bife. Até como tudo isto se não houver alternativas.
Porém, havendo, eu parto para a mandioca, a farofa, a abóbora, a batata baroa, e assim vai.
Acredito que isto era o que mais o incomodava com relação a mim. O fato de eu não ser a pessoa que ele pensava que eu fosse. Era apenas eu.
Uma pessoa que foi criada com simplicidade, porém tendo conforto e boa instrução.
Sou muito diferente dos meus irmãos. É de se notar, primeiramente, que a estampa já diz que realmente não somos parecidos.
Eles dois são morenos, daquela cor que eu morro de inveja, porque posso passar mil anos tomando sol que não conseguirei jamais.
Nasci branquicela, e meus cabelos eram mais claros e encaracolados. Eles dois de cabelos lisos.
Eles extremamente comunicativos e alegres. Eu, sempre circunspecta.
Eles muuuuuuuuuito inteligentes. Eu sempre tive de me esforçar mais. Sempre.
Eu precisava estudar, enquanto aos dois bastava prestar atenção ao que quer que fosse. Até hoje é assim.
Entretanto, eu busquei uma formação que amava. Sempre amei. Veio comigo.
Uma tia do meu pai se ofereceu para me ensinar a tocar piano. Como eu a amava muito - e à música também- nem pensei duas vezes. Ela era a mulher que sempre sonhei ser. E acredito que ela sempre soube disso. Ou intuía essa minha admiração por ela.
Criou 5 filhos sem a ajuda de empregada, trabalhava fora e é esposa de pastor, ou seja, além das obrigações familiares e profissionais, havia o cuidado com o rebanho.
Mesmo assim, jamais se chegava à casa dos meus tios sem que houvesse biscoitinhos, docinhos, bolos...
Ela mesma fazia boa parte das roupas das crianças. E todos eles cantam divinamente. A família do pastor até hoje canta junta, cada ano acrescida de mais uma voz.
Eu amava aquela mulher, definitivamente.
Assim, fui ter aulas de piano com ela. Só que junto eu aprendi a me sentar, a falar, a comer, a cantar, a andar, e a escrever com uma letra razoavelmente bonita.
Só que além de tudo isto, eu ainda era Gabrielle. Que é tida por muitos como metida e arrogante.
E meu ex tinha pavor disso. Ele é extremamente inteligente, mas é uma pessoa simples.
Ele gosta de dizer que é da roça. Foi criado em fazenda.
Claro que isto não faz com que alguém seja melhor ou pior do que outra pessoa. São só pessoas diferentes. Só isso.
Só que em um casamento isto não basta para ser feliz. É preciso ser diferentes, mas não tão diferentes como a água e o óleo, como a Montanha e o Mar. Os primeiros parecem ser iguais, mas não se misturam. Os segundos são lindos juntos, parecem se completar, mas não podem se misturar também. Um casal, para dar certo, precisa ser como água e vinho - Se misturam. E ainda podem dar um bom refresco se acrescidos dos complementos certos.
E, com o passar do tempo, coisas que no início não me incomodavam, passaram a me incomodar demais, como penso que a ele também.
Não quero me fazer de vítima. Só estou narrando os fatos sob o meu ponto de vista. Daquilo que eu sentia. São as minhas impressões.
E, o fato de colocá-las em palavras, não muda fatos. E fatos são aquilo que eu percebo. E o que eu percebo pode não ser o que outros percebem. O que é fato para mim pode ser imaginação para o outro.
Pode ser fato que amei alguém. E pode ser imaginação para quem vê de longe. Tudo é relativo. Depende de onde se está, como se está e de quem é.
Bom, o fato para mim é que eu me sentia só. Muito só.
Ele trabalhava fora da cidade e o tempo em que passava fora não me ligava e ainda por cima deixava o telefone desligado.
Por mais que me explicasse as razões para isto acontecer, eu jamais entendi. Jamais.
Não seria demais gastar R$ 3,00 por semana para só dizer um "Oi! Está tudo bem? Precisa de alguma coisa?"
Não gostava de conviver com minha família.
E eu tenho a necessidade de conviver com os meus. Não levo meus problemas. Não choro minhas mágoas. É só mesmo vontade de estar junto a eles ao menos uma vez por semana.
Falo com os meus pais todos os dias.
E não vejo mal algum em fazer isto. Não acho que fico mais ou menos dependente deles por causa disso. Ele já não via assim.
E era causa de grande desconforto para mim.
O dinheiro era algo também ruim entre nós. Por algum tempo eu não trabalhei. E ele passou por um período difícil. Eu jamais falei qualquer coisa a respeito para os meus pais. Nunca disse coisa alguma.
Por um bom período ele viajou para a cidade onde trabalhava com meu carro. Porque o dele havia quebrado e não tínhamos condições de consertar. Nunca falei com meus pais a respeito disto. Nunca. E, mesmo assim, ele achava ruim o fato de eu querer falar com eles todos os dias.
Enfim. Meu casamento, como todos, teve bons e maus momentos. Mas, acabou. Há um ano. De uma forma nada confortável. Para ninguém.
Casei-me para passar a vida inteira ao lado da pessoa que amava. Mas, não podia continuar daquele jeito.
Já estava muito dolorido para mim. Não aguentava mais não me sentir valorizada como mulher.
De conviver com lembranças de coisas ruins que mataram o que eu sentia.
Por exemplo, o fato de ele um dia ter dito a uma pessoa que não me dava tudo o que eu precisava para ver se eu tomava vergonha e ia estudar para passar em um concurso...
Como por exemplo o fato de um dia uma pessoa dizer o quanto eu era bonita e ele dizer que havia namorado mais bonitas...
Isto só para citar duas delas...
Não quero ficar falando do casamento que acabou... Realmente... Não sei se darei conta de dizer tudo quando gostaria.
Não sou vítima. Não sou. Mas, todas essas coisas, para mim, culminaram no ano que passou...
Hoje, eu meti o joelho na quina da cama em que durmo... Estou com um hematoma horrendo. Que me fará ficar pelo menos umas duas semanas sem poder usar um vestidinho mais curtinho.
Há um ano e três dias dias eu recebia pessoas por quem tinha enorme carinho aqui em casa para um jantar. Quando eu as chamei, contudo, eu não imaginava que elas acabariam vindo só por compaixão. E que, terminada a noite, eu meteria o joelho na quina da cama e estaria com um hematoma horrendo...
Este acidente me fez revisitar lembranças... Viagem no tempo sem sair do lugar.
Onde as classificarei? Bom, passei ali num cemitério. E andei por um museu, logo depois. E, quando voltei a Israel e para a casa dos meus tios, eu ouvi o mar...
30 anos em Uns tempos que já se foram... E os que virão?
Acho que vou assim... Como quem anda manca depois da pancada. Vou devagarzinho. E contando minhas impressões do que foi, do que é e do que será.